sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Descobrindo o Amor entre Anjos


Suspirei, suspirei e isso era o começo de uma profunda respiração ou apenas o término da mesma? - Quantas perguntas sem respostas me conturbavam a mente naquele curto instante. Tudo porquê...

    Aqueles cabelos negros e longos, tão brilhosos que pareciam que eram banhados com petróleo, os olhos sedentos ambiciosos numa cor vermelho sangue que reluzia sua alma atormentada. Sua boca que parecia pintada em tons de lápis de cor - tão perfeita. 
    A princípio éramos amigos, tínhamos uma áurea pura, mas tudo mudou. Nossas confissões e sentimentos eram jogados em tardes ensolaradas e gélidas quando o mundo parecia tranquilo e abandonado. Entretanto, as discussões começaram a aparecer e se tornaram constantes entre ele e o Pai, ele não podia, não, certamente ele não podia. O Pai era o Deus Absoluto, aquele que nós cremos de maneira plena, amável, inexplicável. 
    Lúcifer, sim este era o nome do Anjo Renegado, o Anjo mais belo dentre todos, que tinha uma alma prolixa e um coração árduo. E por este motivo ele foi banido dos céus. 
    E desde então, a minha solidão começou, o meu âmago apertava o peito de uma maneira indescritível. As risadas discretas e o jeito compreensivo, o modo calmo e ao mesmo tempo tempestuoso, tudo isso me fazia falta; A amizade que plantamos em nossos corações se tornou viciante, prazerosa, incalculável e acima de tudo verdadeira. Era sufocante até se lembrar. 
    Com a queda de Lúcifer, Henoc ficou no comando por ordens do Pai Celestial e para piorar a situação, a Espada de São Miguel Arcanjo se perdeu dentre a multidão dos humanos. E adivinha dentre outros quem fora incumbida de procurar a Espada na Terra? – Sim, eu.

    Naveguei entre Anjos e Arcanjos, deslumbrei cores e flores, ventos de emoções. Avistava a lua brilhosa fazendo graça ao astro rei – sol; pude ter o prazer de admirar o pôr-do-sol, me encantei com o que escutei das profecias e parábolas daquelas criaturas tão enigmáticas que eram os humanos. 
    Quando dei por mim, já estava mais envolvida com eles do que comigo mesma. Eram seres cintilantes, e o humor oscilava assim como as fases da Lua, e eu sorria, sorria jubilosa por estar extasiada diante daqueles que me transmitiam sabedorias, ainda que confusas.
    Numa de minhas procuras incessantes pela Espada de São Miguel, meu coração disparou e meu corpo gelou. Avistei Lúcifer perambulando entre os humanos, se disfarçando, se ocultando.
Estava desesperada de saudade pelo meu amigo, mas precisei me conter, não sabia como agir diante daquele velho amigo, e a aproximação foi inevitável e num primeiro diálogo nos abraçamos, e pude perceber o quanto ele também sentia saudade. 
    E então, notei a melancolia dele comentando sobre seu caminho que foi desviado por um destino trágico e triste, nem ele sabia dizer ao certo. Aquela inquietação me confundiu me perturbou e então percebi que Lúcifer não era somente o meu melhor amigo, aquele que eu tanto acostumei com a presença na minha vida. 
Além de tudo ele, o Anjo Renegado, era também o Meu Amor!
(Autoria - Cíntia Vieira. /Personagens fictícios)



2 comentários:

  1. Além de ser uma estória meio q sombria,pelo fato de uma mulher ter se apaixonado pelo anjo mais temido e belo do reino de Deus,é também uma estória bonita e marcante...Aparentemente,eu amo contos desse tipo,q são uma mistura entre o bem e o mal,q tem um toque de romantismo e sempre torço por um final feliz...Eu tenho a sorte de ler todos seus contos em primeira mão e afirmo q todos são muito bonitos e envolventes...Se um dia pensar em publicar,eu dou a maior força minha irmã...Te amo!

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  2. Obrigada Rosy. Irmã lindona e que eu amo!

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