terça-feira, 22 de novembro de 2011

Um despertar!



História relacionada à mitologia grega, Macária filha do Deus do Submundo - Hades. Embora não haja nenhuma menção da mesma, esta Deusa fora gerada entre o casal Hades e Perséfone. Conhecida como Deusa da Boa Morte!
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    Distante dos olhares de meu pai – o deus Hades. Atrevi-me e sentei sob o trono ao qual seria meu por direito. Naquele entardecer, onde o crepúsculo já se colocava, meu olhar foi levado para as vidraças desenhadas em volta do castelo sombrio. Perguntas e mais perguntas vinham á tona em minha mente perturbada, todavia deixava-as passar despercebidas diante daquele tempo tão fascinante. Por um momento fechei os olhos...

    "Que lugar lindo! As flores parecem ter mais vida, brilhantes e tão perfumadas. 
    E este céu quanta beleza, tão azul que parece algodão doce, deveria ser comestível. Que sensação de calmaria, a paz é tanta que acalenta o meu coração, quero viver e ser feliz aqui. Sem pecados ambiciosos, sem maldades, apenas amor ao próximo e sentimentos tão bonitos, sem vergonha de serem expostos. 
    Mais a frente notei que algumas flores do campo embelezavam um local cheio de pilastras, algumas caídas, talvez desgastadas, outras ainda firmes aos quais eram desenhadas como se fossem a lápis. 
    Um pouco mais de aproximação e pude notar algo escrito, bati com uma das mãos para retirar o pó que ali estava presente e então mais nitidamente – "Aqui jaz um homem apaixonado pela vida, foi eterno enquanto durou". - Levei a mão esquerda até o queixo, inclinando a cabeça, certa curiosidade passou a brincar com os meus pensamentos, quem seria aquele homem ao qual viveu daquela maneira tão intensa, por que e como ele veio a falecer, sua morte foi trágica ou normal? Bem, isso não importava. 
    Aquele lugar existia, e eu podia comprovar que ele há de existir, estava nele naquele exato momento, vivenciando os prazeres carnais de liberdade e principalmente respirar em paz; Podia sentir a brisa da tarde bater em meu rosto alvo e tão cheio de vida, me senti completa e viva. 
    As minhas emoções se embaralhavam, porém estava tão radiante diante daquele acontecimento, como dar um nome, ou melhor, como explicar aquele acontecimento tão inusitado. Em instantes estava ali, foi tudo uma questão de segundos e eu não sei como pude aparecer nessa galáxia, nesse mundo, nesse lugar mágico. 
    Já estava decidido, era lá que eu iria para sempre ficar. Andei... andei e não mais aguentei, joguei-me no jardim de rosas vermelhas, as pétalas caídas ao chão me fizeram levitar de tanta maciez e romantismo, lá não havia feiura e escuridão, claridade e magia eram as suas características. 
    Os braços movimentaram-se espontaneamente de um lado para o outro, os cabelos longos e negros bagunçados em minha volta, os olhos esverdeados cintilantes, mais parecendo duas esmeraldas. Deliciei-me com o momento único, entregando-me de corpo e alma para aquele tapete de rosas ao qual me dominava, fazendo-me assim sentir em uma cúpula cristalina. 
    Um suspiro saiu em um tom alto e profundo, levantei-me ajeitando o vestido longo e de cor preta que me destacava a silhueta, os cabelos lisos nem foram mexidos, apenas o balancei para que algumas flores que ali estavam presas - se soltassem. Deslumbrei o céu já enfeitado com a lua crescente e as estrelas, pareciam uma aquarela de tão magnífico. Estava tão envolvida com aquele mundo fictício que acabei me perdendo nas horas, mal demorou a cair à noite. 
    E agora aonde repousaria o meu sono de deusa, não poderia deixar de descansar a minha cútis tão perfeita, prezava muito isso, eu realmente precisava se acomodar. Espreguicei-me vagarosamente, deixando para trás todo o cansaço do corpo já desnutrido, caminhei até uma gigante árvore e lá fui me ajeitando aos poucos; Ansiosa, fechei os olhos para que o dia nascesse o mais rápido possível, queria se encantar com o sol nascente - deveria ser lindo visto dali. Eu estava apaixonada por tudo aquilo. Meus olhos inquietos, meu corpo afetado pela insônia, abria os olhos e os fechava, como demorava a passar as horas. Todavia não vi mais nada...     Acabei cochilando."

- Acorde! Macária, acorde filha.
O que fazes em meus aposentos e principalmente em meu trono?

~ Assustada arregalei os orbes esmeraldinas, percorrendo o local e tentando distinguir a voz que falava tão alto, tentei se achar, ébria de sono e ao esfregar os olhos com o auxílio das mãos me sentei arrumando a postura, que desconforto enorme.


- Ah, é o senhor, papai. Eu apenas vim procurá-lo e acabei adormecendo, acho que foi somente isso.


~ Imediatamente levantei, deixando o deus do mundo inferior - curioso com as minhas reações, indo em direção ao jardim do castelo passei a pensar e falar comigo mesma. - Então foi tudo apenas um sonho... Este lugar não existe? - Ora, mais que pena! Já estava me adaptando, deixar o meu espírito falar mais alto e não ter medo de nada, principalmente de mim, que desperdício. 
    Eu encontrarei este lugar, eu hei de buscá-lo novamente... 
    Nem que seja num próximo sonho para um novo despertar!
(Autoria - Cíntia Vieira. /Personagens fictícios)


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