quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Momento!


    Durante toda noite, mais toda noite mesmo, ela sempre a visitava. 
    Sim, bastava abrir a janela e lá estava ela brilhante - cheia, parecia esperar para que pudessem conversar. Realmente causava-lhe um êxtase profundo, não sabia como definir tamanho esplendor que representava. 
    Aconteceu tudo de maneira tão intensa. Viu-se bailando dentro dela, as mãos pareciam embaladas numa valsa sem fim, tocava-lhe o próprio corpo, conhecendo-se através de gestos novos; Dedos delicados passavam em seus cabelos compridos entrelaçando alguns fios nos mesmos. A dança era repleta de suavidade, sedução, as cores brincavam ao seu redor, convidando-a para uma dança mais animada, assim seu corpo pôde desfrutar dos prazeres desconhecidos até então. Estava tão distante, tão alto, até mesmo passou a observar arranha-céus daquela incrível altura, seus pezinhos mexiam sem vergonha, pareciam saber o ritmo da música a ser dedilhada.     Poderia dizer que se sentiu uma bailarina dentro de uma caixinha de música, tão pequenina, apenas a melodia e ela. O céu refletia uma tonalidade de azul escuro enfeitados com as estrelas. 
    Ela era brilhosa demais? Somente ela a enxergava desta forma, ou eram todos? Um toque do destino e já não estava mais em um lugar conhecido, era tudo tão tranquilo, trazia paz e acalentava o seu coração. Agora as mãos gesticulavam folheados, enquanto o pulso se contorcia, já as pernas pareciam levitar, mal sentia o chão... na verdade – havia chão? 
    De repente um trovejar, alguns respingos refrescantes, mais ainda assim ela estava lá, bailando. Um sorriso de orelha a orelha delineou nos seus lábios rosados, enquanto inalava passou a sentir o aroma das flores que pareciam dela emanar. 
    Toques sutis; Sentia-se em transe diante daquela noite magnífica. Os braços abriram-se com uma postura forte, parecia uma ave revelando sua feminilidade a ponto de encarar o mundo e esquecer-se de tudo, deixar-se ser guiada para um novo começo. Pés cansados, mas ainda assim firmes para dançar em plena sintonia por muitas horas que se fossem; Não havia sinal algum de quem hesitaria, não naquele momento em que o divino parecia tocar-lhe o mais puro e sensível corpo; Luzes coloridas em furta-cor a envolvia como uma sereia é protegida pelo mar. 
    Faltavam-lhe palavras que a encaixasse dentro do contexto atual. Um tapete florido pôs-se a fazer cócegas nos pés pálidos, contudo sujos. 
    Teciam uma espécie de aromatizante que energizava sua mente e corpo, creio que era disso que precisava diante dos conflitos que enfrentava naquele momento. Tudo minuciosamente detalhado, as mãos alcançavam o espaço e lá tateavam pelos ares desenhos que só a dama sabia descrever, estes quais eram mantidos em sua mente secretamente, e acredite, ela de causar arrepios de tão deslumbrantes e maravilhosos, talvez por passarem tamanha sinceridade. 
    A música ecoava pelo local que estava, entrava pelos ouvidos e mal saíra, era algo que sentiu tão interiormente, que os suspiros e o suor passaram a serem contínuos diante da melodia e o pequenino universo. Exatamente! Pequenino, pois aproveitava cada parte do espaço com passos leves, explorando os mesmos, eram como sinos que soam nas maiores catedrais, fazendo assim a desligar completamente do mundo. 
    Passaram-se horas, minutos, e até mesmos dias...? 
   Ao menos assim a mulher se sentiu diante do fato enigmático ao qual lhe prendeu numa bola cristalina e lá pôde desfrutar da melhor experiência que já teve. 
    Aquilo foi apenas um momento, um curto espaço que seja? - Não, não. Afirma e está ciente de que estava envolvida demais entre a Lua e as estrelas, e o tempo... 
    Ah! Esse se chamava ETERNIDADE.
(Autoria - Cíntia Vieira. /Personagens fictícios)